terça-feira, 8 de março de 2011


Hoje tô afim de tocar o foda-se. Foda-se você que tem toda minha atenção e não dá a mínima. Foda-se você que me menosprezou e disse que eu não iria conseguir - e só pra você saber, eu consegui. Foda-se você que um dia me trocou e quando se arrependeu era tarde demais.Foda-se você que não tem caráter. Foda-se você que não respeita nem a si mesmo. Foda-se você que me fez acreditar numa mentira. Foda-se você que eu fiz acreditar numa mentira. Foda-se você que se acha o tal mas que na verdade é um bosta. Foda-se você e seu dinheiro. Foda-se você e sua falsidade. Foda-se você que me critica mas não consegue me superar. Foda-se você que pensa que sabe tudo sobre mim. Foda-se você e sua falta de criatividade. Foda-se você e seus problemas. Foda-se você e a sua inveja. Foda-se você que quer dizer como eu sou ou como eu devo ser. Foda-se você e sua vida de merda, você e sua reputação de merda, seu clichê de merda, suas crenças de merda, sua opinião de merda. Tenho pena, mas que se foda.

É assim que mostro meu ciúmes, olho, fuzilo, seco. Mas não digo nada, não faço nada, fico ali sentindo minhas dores sozinha. Dando uma de masoquista.

quinta-feira, 3 de março de 2011

"Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros.Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive a sua própria história."


[Bill Gates]



Sonhador se fere, mas não desiste.


Me deu um desespero ver as coisas sumindo assim, tudo aquilo que eu acreditava ser sólido, foi desaparecendo, bem de frente aos meus olhos. Fiquei pasma. Ouvi o Cazuza cantando: ‘Os meus sonhos foram todos vendidos tão barato que eu nem acredito’, e na hora me idenfiquei, mas então pensei, já que eles foram vendidos tão barato assim, é por que eles não tinham tanto valor como eu acreditava. Então tratei de ir logo em busca de novos sonhos, muito maiores e melhores, e já avisei a mim mesma, pago muito caro pelos que valerem a pena de verdade.
"Não há crueldade pior que pensar e acreditar que os animais existem para servir ao Homem."                        


                                                  Gabriela Toledo




Em vez de tentar escapar de certas lembranças, o melhor é mergulhar nelas e voltar à tona com menos desespero e mais sabedoria.
Martha Medeiros
Passei a ocupar meus dias pensando sobre o que, afinal, é isso que todo mundo enche a boca pra chamar de amor, como se fosse algo simplificado: defina em meia dúzia de frases, é fácil, querida. É fácil? Pois a querida não entende como uma palavrinha simples formada por apenas duas vogais e duas consoantes pode absorver um universo de sensações contraditórias, diabólicas, insensatas, incandescentes e intraduzíveis. O que é amor?
Ficamos assim: você joga as queixas no telhado, eu ponho as manias de lado, você lava a escadaria, eu rego o jardim. Podemos varrer juntos as nódoas secas aderentes ao passado. Se você se habilita, eu me disponho, num desafio à desdita. Você acende a luz, eu desempeno o sonho, enquanto você ensaia o passo, eu troco a fita. Na mesa torta, a toalha colorida. O resto é fácil: basta mandar flores ao futuro, derrubar o muro e acreditar na vida.





Ser sensível nesse mundo requer muita coragem. Muita. Todo dia. Esse jeito de ouvir além dos olhos, de ver além dos ouvidos, de sentir a textura do sentimento alheio tão clara no próprio coração e tantas vezes até doer ou sorrir junto com toda sinceridade. Essa sensação, de vez em quando, de ser estrangeiro e não saber falar o idioma local, de ser meio ET, uma espécie de sobrevivente de uma civilização extinta. Essa intensidade toda em tempo de ternura minguada. Esse amor tão vívido em terra em que a maioria parece se assustar mais com o afeto do que com a indelicadeza. Esse cuidado espontâneo com os outros. Essa vontade tão pura de que ninguém sofra por nada. Esse melindre de ferir por saber, com nitidez, como dói se sentir ferido.



end happy new year

O que eu desejo para o novo ano é suavidade. E um bocado de alegria. E desejo também perdão: a mim mesma que sou passível de erros, mas que não preciso e não devo viver mergulhada na culpa. Desejo também carinho: uma alma acariciada fica doce, desvendada, amorosa. Desejo coragem, porque o medo paralisa e impede a melodia nova e é preciso arriscar para continuar (re)criando harmonias. Desejo muita inspiração, porque as palavras sempre me fizeram a companhia mais maciça para a solidão genuína que sinto. E foram elas que consertaram muitas dores ao longo da minha caminhada, coisas que só pude curar investigando, compartilhando, tendo aqui meus cinco dedos de prosa com vocês. Desejo um pouco de disciplina, pois um ser criativo precisa de rebeldia, mas também de horários e planejamentos. Desejo desapego pelas pessoas, mas um pouco mais de ambição material porque ninguém sobrevive apenas de metafísica. Desejo maturidade. Quando se tem maturidade, dá-se melhor o valor que tem cada coisa, sem supervalorizar o que é irrelevante ou subestimar um pequeno aprendizado. Desejo muita paz: um coração sossegado entrega-se com mais confiança. Desejo saúde e disposição. Desejo proteção espiritual. E desejo continuar sendo merecedora dessa boa sorte de falar e poder ser atentamente ouvida, de calar e ser respeitada, de amar e ser correspondida, de atrair pessoas de coração bom e muita sensibilidade, e de poder descobrir a cada dia que a verdadeira erudição está na simplicidade.

Marla de Queiroz