A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Você não sabe, mas nós vamos nos casar na praia. Eu vou rir no meio da cerimônia porque não consigo ficar séria nunca, e você vai demorar uns cinco segundos antes de responder o “sim” só pra me deixar apreensiva, prestes a ter um ataque de nervos. Então, vamos morar juntos. Em um apartamento no começo, meio apertado, meio bagunçado, mas nosso. Dias de segunda, quarta e sexta você vai fazer o jantar, terça, quinta e sábado, sou eu. No domingo vamos comer pizza mesmo. Nós provavelmente vamos brigar toda hora e eu vou te odiar pra sempre por uns cinco minutos antes de correr pros seus braços e dizer que te amo. Algum tempo depois, vamos comprar nossa casa branca, com várias árvores ao redor, e vamos ter nossos dois filhos - um casal - e o nome, óbvio, vai ser escolhido por mim. Eles vão ter seus olhos. Tem o nosso futuro cachorro também, ou nossos futuros cachorros, porque você sabe como eu amo animais. Vamos fazer compras no supermercado juntos, sabe? Só que eu vou tirar metade das coisas que você colocar no carrinho porque são desnecessárias. E ah, de noite, vamos no quarto dos nossos filhos contar uma histórinha para dormirem, cobri-los e dar um beijinho na testa deles antes de apagar a luz. De vez enquanto, os deixaremos na casa da minha mãe para fugirmos, sei lá. Uma noite a sós em algum lugar, numa praia, num bar, longe de todos, e seria como a primeira vez, o primeiro olhar, o primeiro beijo. Eu me apaixonaria ainda mais por você, se isso fosse capaz. Nós não seriamos aquele casal do filme de comédia romântica ou do tipo de conto de fadas, longe disso. Seríamos imperfeitos, birrentos, orgulhosos, chatos, mas sobretudo,estaríamos juntos. Você me fazendo ciúme e eu implicando com você o tempo todo, não importa. Você e eu, eu e você, e toda essa besteira de idealizar o futuro que uma garotinha boba e apaixonada tem. É isso que eu quero.
“ Bonitas mesmo somos quando ninguém está nos vendo. Atirada no sofá, com uma calça de ficar em casa, uma blusa faltando um botão, as pernas enroscadas uma na outra, o cabelo caindo de qualquer jeito pelo ombro, nenhuma preocupação se o batom resistiu ou não à longa passagem do dia. Um livro nas mãos, o olhar perdido dentro de tantas palavras, um ar de descoberta no rosto. Linda.
— Martha Medeiros.
Porque é quando a gente acorda pensando na vida que a vida resolve dormir. E ela dorme como quem pede presença dos amigos e foge de casa no tocar da campaínha; como quem liga pra quem tá longe e no chegar do rever se esconde embaixo de uma capa do mais reles e sujo medo de se entregar. Eu não sei ser só daquilo que amo porque temo o que amo com o maior dos temores. Eu tenho medo do amar, medo do ser, medo do começo e do beirar de um fim que nunca vai chegar. Porque os fins, assim como os começos, são acasos e eu não quero levar essa culpa de que um dia jurei não terminar o que eterno não foi. Não vou deixar começar, não sei deixar começar o que desconheço: e é esse bloqueio que faz de mim silêncio e pacacidade. Esse bloqueio é que faz do que sou o furor iracundo da parte furacão da brisa leve que fiz de mim. Porque eu sou só aquilo que prezo no que um dia já fui e essa perfeição imperfeita vem me deixando cada vez mais reta: e eu gosto do torto, gosto dos cacos, gosto do drama de uma vida errada. E essa vida, essa vida do mais correto e torpe viver, essa vida é uma total chatice.
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